Portadores de transtornos mentais vagam pelas ruas de Macapá



Algo está se tornando comum em Macapá. Pessoas com transtornos mentais abandonadas pela família, “vagando” pelas calçadas e vias públicas da cidade. Nus, com fortes temperamentos, falas sem sentido, e aparência suja, são algumas características da maioria dessas pessoas.

Atualmente o Amapá possui apenas uma psiquiatria, a do Hospital Alberto Lima (HCAL), com oito leitos, ambulatório psicossocial e, consultório de rua.

“Às vezes a população acredita que temos que pegar a pessoas na rua e colocar dentro da psiquiatria. Mas isso não pode acontecer, e com a reforma psiquiátrica, esta pessoa com transtorno deve ter a reinserção social com acolhimento dentro da família. Isto é, trabalhamos com o momento de crise, com isso damos alta para receber um tratamento contínuo no nosso ambulatório”, explicou coordenadora estadual de Saúde Mental, Michele Maleamá.

Hoje em dia, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) que o Estado possui é para atender pessoas com transtornos por Álcool e Drogas. De todos os municípios, apenas Macapá tem um centro atendendo pessoas com transtorno mentais, entretanto, é quase ineficiente, pois foi construído em 2001, sem nenhuma reforma e abrange apenas crianças.

Na psiquiatria do HCAL, por exemplo, há carência de profissionais. Com uma demanda de 10 mil inscritos e 70 novos pacientes a cada mês, a clínica psiquiátrica possui apenas quatro psiquiátricos.

Quando não andam nus pelas ruas de Macapá, as pessoas portadoras de transtornos mentais usam roupas brancas. De acordo com o diretor da psiquiatria, Adriano Veríssimo, diferente do que muitos pensam, eles não são fugitivos da psiquiatria. “Quanto a vestimenta, elas são adquiridas em outros hospitais, como o de emergência, por exemplo”.

Para Adriano Veríssimo, é comum as famílias abandonarem os entes com transtornos mentais, na psiquiatria do Estado. “Assim é difícil porque o acompanhamento da família faz parte do processo de recuperação”, disse.

A dificuldade em tratá-las também está relacionada ao uso de drogas, como o crack. Quando elas moram nas ruas, ficam sujeitas ao consumo de entorpecentes. Segundo Michele Maleamá, o atendimento a elas é complicado porque os usuários com transtornos são muito arredios.

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